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Domingo - 05/09/2010 - 15h32
Motivo
Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem triste: sou poeta. Irmão das coisas fugidias, não sinto gozo nem tormento. Atravesso noites e dias no vento. Se desmorono ou edifico, se permaneço ou me desfaço, - não sei, não sei. Não sei se fico ou passo. Sei que canto. E a canção é tudo. Tem sangue eterno e asa ritmada. E sei que um dia estarei mudo: - mais nada.
Cecília Meireles (1901-1964) - Poetisa, escritora, pintora e jornalista carioca.
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Domingo - 29/08/2010 - 09h58
Angústia
A ninguém chorei tantos clamores Que estalam em meu peito angustiado Ninguém sabe, talvez, que acerbas dores
Moram em meu coração dilacerado.
Já não sinto prazer, não sinto amores Sou desta vida um pobre revoltado Bebendo a taça dos meus dissabores Para o que fui, meu Deus, predestinado.
Dias tristonhos, horas pensativo Sem encontrar sequer um lenitivo Sem uma mão carinhosa que me valha.
Só o que posso esperar nesta amargura É o silêncio sem par da sepultura Nas dobras flexíveis da mortalha.
Manoel Erasmo
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Domingo - 22/08/2010 - 10h48
Nilo Santtos
Que mistério, esta vida, esta grande via, Tempo que muda de cara, qual magia, Tempo de mudanças, de tecnologia, Tempo que a gente nem imaginou um dia.
Um dia achamos fascinante a tipografia, Que o off set aposentou sem piedade, Pois cada tempo traz as suas novidades, Como a fascinante informática, que viria.
E a nossa maquininha de escrever, Que não era arma, mas sagacidade Para nossas lutas pela liberdade, Que um dia afinal vimos nascer.
Mas agora, nesse dia, mais surpresa, Para quem a internet agora curte, Você está aqui no seu Orkut, Que na convivência é uma beleza.
Mas não responde mais nossas mensagens, Está mudado, construindo outra história, Restando a nós apenas a memória Daquelas tuas belas reportagens.
Walter Medeiros é jornalista
P.S - Na quinta (19), o jornalista Nilo Santos - recentemente falecido - faria aniversário. Receu essa homenagem de Medeiros.
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Domingo - 08/08/2010 - 09h34
Meus Versos
Guarda meus versos, meu sangue e toda minha vida É a minha memória já gravada Nela verás um coração e em cada Frase verás uma ilusão perdida...
Somente eles encerrarão a história Da minha vida triste e amargurada Sem ânimo, sem conforto, angustiada Em desespero atroz, sem amor, sem glória.
Eles douram a graça, a consciência pura É sempre a virtude, é a ventura E a chama das minhas ilusões.
É o meu leito, guarda, tenhas cuidado É um rico tesouro entrelaçado, Onde estão toas as minhas emoções.
Dagmar Costa - Poeta grossense (poema incluído no livro "A Saga a Poesia Sobrevivente", coordenado por Genildo Costa, com trabalhos de poetas de Grossos e Areia Branca).
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Domingo - 25/07/2010 - 12h10
Carta a Papai Noel
Seu moço eu fui um garoto Infeliz na minha infância Que soube que fui criança Mas pela boca dos ôto... Só brinquei com gafanhoto Que achava nos tabuleiro Debaixo dos juazeiro Com minhas vaca de osso Essas catrevage, moço, Que se arranja sem dinheiro.
Quando eu via um gurizim Brincando de velocipe, De caminhão e de jipe, Bola, revólve ou carrim Sentia dentro de mim Desgosto que dava medo, Ficava chupando o dedo Chorando o resto do dia Só pruque eu num pudia Pegá naqueles brinquedo.
Mas preguntei certa vez A uns fio dum dotô Diga, fazendo um favô Quem dá isso prá vocês? Mim respondeu logo uns três Isso aqui é os presente Que a gente é inocente Vai drumí às vezes nem nota Aí Papai Noé bota Perto do berço da gente.
Fiquei naquilo pensando Inté o Natá chegá E na Noite de Natá Eu fui drumi me lembrando Acordei, fiquei caçando, Por onde eu tava deitado Seu moço eu fui enganado Que de presente o que tinha Era de mijo uma pocinha Que eu mesmo tinha botado.
Saí c'a bixiga preta Caçando os amigo meu Quando eles mostraram a eu Caminhão, carro e carreta Bola, revólver, corneta, E trem elétrico, até Boneca, máquina de pé, Mas num brinquei, só fiz ver E resolví escrever Uma carta a Papai Noé.
“Papai Noé é pecado Aos outros se matratá Mas eu vou lê recramá Um troço qui tá errado Que aos fio do deputado Você dá tanto carrin Mas você é muito ruim Que lá em casa num vai Por certo num é meu pai Qui num se lembra de mim.
Já tô certo que você Só balança o povo seu E um pobre que nem eu Você vê, faz qui num vê E se você vê, porque Na minha casa num vem? O rancho que a gente tem É pequeno mas lhe cabe Será que você num sabe Qui pobre é gente também?
Você de roupa encarnada, Colorida, Bonitinha, Nunca reparou qui a minha Já tá toda remendada Seja mais meu camarada Pr’eu num chamá-lo de ruim Para o ano faça assim: Dê menos aos fio dos rico De cada um tire um tico Traga um presente pra mim.
Meu endereço eu vou dá De casa que eu moro nela Moro naquela favela Que você nunca foi lá Mas quando você chegá Qui avistá uma paioça Cuberta cum lona grossa E dois buracão bem grande Uma porta veia de frande Pode batê que é a nossa.
Luiz Campos é poeta mossoroense
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Domingo - 18/07/2010 - 12h02
Cuidado com o lixo
Acho que o pessoal
já não tem educação a cidade anda suja parecendo um lixão. Ninguém tá preocupado é lixo por todo lado entupindo o grotão.
Para ser bom cidadão tem que cuidar da cidade zelar por sua limpeza não é fazer caridade. É dever de todos nós sujam rio até a foz seja dita a verdade.
Não é questão de bondade ou mesmo de simpatia quem só pensa em si mesmo não deve ter alegria. Vamos pensar no vizinho limpar o nosso cantinho pra viver em harmonia.
Casca de fruta na via provocando acidente cachorro morto na vala causando sua enchente. Tem acessório de carro tem bituca de cigarro queimando o pé da gente.
Também o povo carente contribui co'a mazela já vi resto de comida jogado pela janela. Saco de lixo na rua pé-de-cabra e gazua na porta duma capela.
Já vi tampa de panela entupindo um bueiro colchão velho e sofá bem no meio do terreiro. Escova, garfo e faca de cachorro, muita caca exalando seu mau cheiro.
Esse povo de dinheiro anda muito ocupado eu já vi em bairro nobre resto de concreto-armado. Palito de picolé um pacote de café do quinto andar ser jogado.
Vi um coco descascado papel de bombom no chão um banco enferrujado pendurado num portão. Encontrei pneu careca um short, uma cueca e um braço de violão.
Ao passar o caminhão para recolher o lixo derrama a churumela enche a rua de bicho. Não se faz a varrição e o lixo pelo chão é só falta de capricho.
Não quero fazer buxixo mas conto o que já vi tubo de televisão e de carro, um chassi. Balde, cabo de vassoura e até peruca loura de um velho travesti.
Agradeço ao gari que trabalha pra valer varrendo essa cidade pra um outro recolher. A estes vai meu abraço por trabalhar no mormaço todo dia a varrer.
O que tô a descrever não é mera ficção vamos ter que reciclar reduzir a produção. Todo esse consumismo vai gerar um cataclismo e sumimos no lixão.
Não repito a lição mas posso dar um conselho escreva sobre o lixo se mire no meu espelho. Seja em prosa ou verso para o bem do universo vá metendo seu bedelho.
Eu não vou ficar vermelho por ter sido intimado a escrever umas linhas em verso metrificado. É dever do cidadão não deixar o seu irmão vir a ser prejudicado.
Já é fato consumado lixo e corrupção a sujeira na política apavora a Nação. Isso é café pequeno e a dose do veneno está nesta eleição.
Vamos usar a razão pra todo lixo varrer na hora de dar seu voto pense no que vai fazer. Nesse balaio de gatos escolha o candidato que pareça com você.
Luis Campos é um poeta baiano (Salvador), cego, que aborda questões ambientais, sociais e humanísticas em sua obra.
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Domingo - 04/07/2010 - 12h09
Assim eu vejo a vida
A vida tem duas faces: Positiva e negativa O passado foi duro mas deixou o seu legado Saber viver é a grande sabedoria Que eu possa dignificar Minha condição de mulher, Aceitar suas limitações E me fazer pedra de segurança dos valores que vão desmoronando. Nasci em tempos rudes Aceitei contradições lutas e pedras como lições de vida e delas me sirvo Aprendi a viver.
Cora Coralina - (1889-1985) - Poetisa nascida em Goiás.
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Domingo - 04/07/2010 - 08h17
Para se roubar um coração
Para se roubar um coração, é preciso que seja com muita habilidade, tem que ser vagarosamente, disfarçadamente, não se chega com ímpeto, não se alcança o coração de alguém com pressa.
Tem que se aproximar com meias palavras, suavemente, apoderar-se dele aos poucos, com cuidado.
Não se pode deixar que percebam que ele será roubado, na verdade, teremos que furtá-lo, docemente.
Conquistar um coração de verdade dá trabalho, requer paciência, é como se fosse tecer uma colcha de retalhos, aplicar uma renda em um vestido, tratar de um jardim, cuidar de uma criança.
É necessário que seja com destreza, com vontade, com encanto, carinho e sinceridade.
Para se conquistar um coração definitivamente tem que ter garra e esperteza, mas não falo dessa esperteza que todos conhecem, falo da esperteza de sentimentos, daquela que existe guardada na alma em todos os momentos.
Quando se deseja realmente conquistar um coração, é preciso que antes já tenhamos conseguido conquistar o nosso, é preciso que ele já tenha sido explorado nos mínimos detalhes, que já se tenha conseguido conhecer cada cantinho, entender cada espaço preenchido e aceitar cada espaço vago. ...e então, quando finalmente esse coração for conquistado, quando tivermos nos apoderado dele, vai existir uma parte de alguém que seguirá conosco.
Uma metade de alguém que será guiada por nós e o nosso coração passará a bater por conta desse outro coração. Eles sofrerão altos e baixos sim, mas com certeza haverá instantes, milhares de instantes de alegria.
Baterá descompassado muitas vezes e sabe por que? Faltará a metade dele que ainda não está junto de nós.
Até que um dia, cansado de estar dividido ao meio, esse coração chamará a sua outra parte e alguém por vontade própria, sem que precisemos roubá-la ou furtá-la nos entregará a metade que faltava. ... e é assim que se rouba um coração, fácil não?
Pois é, nós só precisaremos roubar uma metade, a outra virá na nossa mão e ficará detectado um roubo então!
E é só por isso que encontramos tantas pessoas pela vida a fora que dizem que nunca mais conseguiram amar alguém... é simples... é porque elas não possuem mais coração, eles foram roubados, arrancados do seu peito, e somente com um grande amor ela terá um novo coração, afinal de contas, corações são para serem divididos, e com certeza esse grande amor repartirá o dele com você.
Luís Fernando Veríssimo - Escritor e cronista
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Domingo - 27/06/2010 - 02h56
Romance sonâmbulo
Verde que te quero verde. Verde vento. Verdes ramas. O barco vai sobre o mar e o cavalo na montanha. Com a sombra pela cintura ela sonha na varanda, verde carne, tranças verdes, com olhos de fria prata. Verde que te quero verde. Por sob a lua gitana, as coisas estão mirando-a e ela não pode mirá-las.
Verde que te quero verde. Grandes estrelas de escarcha nascem com o peixe de sombra que rasga o caminho da alva. A figueira raspa o vento a lixá-lo com as ramas, e o monte, gato selvagem, eriça as piteiras ásperas.
Mas quem virá? E por onde?... Ela fica na varanda, verde carne, tranças verdes, ela sonha na água amarga. — Compadre, dou meu cavalo em troca de sua casa, o arreio por seu espelho, a faca por sua manta. Compadre, venho sangrando desde as passagens de Cabra. — Se pudesse, meu mocinho, esse negócio eu fechava. No entanto eu já não sou eu, nem a casa é minha casa. — Compadre, quero morrer com decência, em minha cama. De ferro, se for possível, e com lençóis de cambraia. Não vês que enorme ferida vai de meu peito à garganta? — Trezentas rosas morenas traz tua camisa branca. Ressuma teu sangue e cheira em redor de tua faixa. No entanto eu já não sou eu, nem a casa é minha casa. — Que eu possa subir ao menos até às altas varandas. Que eu possa subir! que o possa até às verdes varandas. As balaustradas da lua por onde retumba a água.
Já sobem os dois compadres até às altas varandas. Deixando um rastro de sangue. Deixando um rastro de lágrimas. Tremiam pelos telhados pequenos faróis de lata. Mil pandeiros de cristal feriam a madrugada.
Verde que te quero verde, verde vento, verdes ramas. Os dois compadres subiram. O vasto vento deixava na boca um gosto esquisito de menta, fel e alfavaca. — Que é dela, compadre, dize-me que é de tua filha amarga? — Quantas vezes te esperou! Quantas vezes te esperara, rosto fresco, negras tranças, aqui na verde varanda!
Sobre a face da cisterna balançava-se a gitana. Verde carne, tranças verdes, com olhos de fria prata. Ponta gelada de lua sustenta-a por cima da água. A noite se fez tão íntima como uma pequena praça. Lá fora, à porta, golpeando, guardas-civis na cachaça. Verde que te quero verde. Verde vento. Verdes ramas. O barco vai sobre o mar. E o cavalo na montanha.
Federico Garcia Lorca (1898-1936) - Poeta e escritor espanhol morto no início da guerra civil espanhola.
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Domingo - 13/06/2010 - 07h26
Partida inteira
Minha alma cega enxerga o teu corpo rasgando os sóis nus da madrugada
Minha alma louca persegue os teus olhos incendiando as luas tortas da noite
Minha alma vã colhe o teu cheiro mergulhando nos ventos doídos da tarde
Minha alma vai sem pressa ao encontro da perdição: um corpo só corpo sem alma a minha.
Leontino Filho
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Domingo - 06/06/2010 - 07h14
Quando a hora chegar
Vou-me um dia quando a hora chegar e quero ir sorrindo, sem mágoas, feliz, sentindo saudade de tudo que me alegrou esquecendo o que me provocou tristeza
Os abraços e beijos do meu amor, claro, irão comigo aquecendo-me o coração não esquecendo seus olhares doces fotografados sempre por meus olhos
Irei perdoando quem me fez chorar sem levar os ressentimentos do agora e prometo não lembrar a falsidade de quem me lançou olhares de inveja
Não, não desejo saber quando me vou o melhor da partida é deveras a surpresa mas ao chegar esse dia, tenho certeza, estarei escrevendo minhas poesias.
Gilbamar de Oliveira
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Domingo - 30/05/2010 - 11h10
A morte chega cedo
A morte chega cedo, Pois breve é toda vida O instante é o arremedo De uma coisa perdida. O amor foi começado, O ideal não acabou, E quem tenha alcançado Não sabe o que alcançou.
E tudo isto a morte Risca por não estar certo No caderno da sorte Que Deus deixou aberto.
Fernando Pessoa
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Domingo - 23/05/2010 - 09h15
Não digam que isso passa
Não digam que isso passa, não digam que a vida continua, e que o tempo ajuda, que afinal tenho filhos e amigos e um trabalho a fazer. Não me consolem dizendo que ele morreu cedo Mas morreu bem (que não quereria uma morte como essa?)
Não me digam que tenho livros a escrever e viagens a realizar. Não digam nada.
Vejo bem que o sol continua nascendo nesta cidade de Porto Alegre onde vim lamber minha ferida escancarada.
Mas não me consolem: da minha dor, sei eu.
Lya Luft
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Domingo - 16/05/2010 - 07h46
Presença
É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas, teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento das horas ponha um frêmito em teus cabelos... É preciso que a tua ausência trescale sutilmente, no ar, a trevo machucado, a folhas de alecrim desde há muito guardadas não se sabe por quem nalgum móvel antigo... Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela e respirar-te, azul e luminosa, no ar. É preciso a saudade para eu sentir como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida... Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista que nunca te pareces com o teu retrato... E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te!
Mário Quintana
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Domingo - 09/05/2010 - 07h28
Para sempre
Por que Deus permite que as mães vão-se embora? Mãe não tem limite, é tempo sem hora, luz que não apaga quando sopra o vento e chuva desaba, veludo escondido na pele enrugada, água pura, ar puro, puro pensamento. Morrer acontece com o que é breve e passa sem deixar vestígio. Mãe, na sua graça, é eternidade. Por que Deus se lembra - mistério profundo - de tirá-la um dia? Fosse eu Rei do Mundo, baixava uma lei: Mãe não morre nunca, mãe ficará sempre junto de seu filho e ele, velho embora, será pequenino feito grão de milho.
Carlos Drummond de Andrade
Veja AQUI em vídeo e música incidental "Ave Maria" com o New Age;
Veja AQUI também.
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Segunda - 26/04/2010 - 20h42
Francisco José ganha mais espaço em governo municipal
O grupo do deputado estadual Francisco José (PMN) ganha espaço considerável no governo da prefeita de direito Fátima Rosado (DEM). E pode avançar mais.
Nos intramuros do Palácio da Resistência e fora dele, a informação corrente é de que a mulher do ex-deputado Lúcia Bessa, ex-diretora do Hospital Rafael Fernandes (órgão estadual), tende a ser nomeada em breve. O cargo, em discussão, aponta para diretoria da Unidade de Pronto-Atendimento do Santo Antônio.
Francisco e seu filho, vereador Francisco Júnior (PMN), há pouco menos de duas semanas anunciaram oficialmente mudança da oposição para o governismo. Justificaram que era resultado da composição entre o PMN do presidente da Assembleia Legislativa Robinson Faria (PMN) com o DEM da senadora Rosalba Ciarlini (DEM).
Robinson deverá ser candidato a vice-governador, em chapa encabeçada por Rosalba, madrinha e endossante do governo da prefeita Fátima, a "Fafá".
A princípio, Francisco José é pré-candidato a deputado estadual. Entretanto, o próprio Palácio da Resistência negocia decisão em contrário, pois vê que sua postulação acerta em cheio a candidatura à reeleição do deputado Leonardo Nogueira (DEM), marido da prefeita.
Ainda hoje trago mais detalhes de bastidores sobre esse tema. Aguarde.
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Domingo - 25/04/2010 - 02h45
Os desaparecidos
A natureza, como a história, segrega memória e vida e cedo ou tarde desova a verdade sobre a aurora.
Não há cova funda que sepulte a rasa covardia. Não há túmulo que oculte os frutos da rebeldia.
Cai um dia em desgraça a mais torpe ditadura quando os vivos saem à praça e os mortos da sepultura.
Bertold Brecht
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Domingo - 18/04/2010 - 10h02
Guardar
Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la. Em cofre não se guarda coisa alguma. Em cofre perde-se a coisa à vista. Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela, isto é, estar por ela ou ser por ela. Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro Do que um pássaro sem vôos.
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica, por isso se declara e declama um poema: Para guardá-lo.
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda: Guarde o que quer que guarda um poema: Por isso o lance do poema: Por guarda-se o que se quer guardar.
Antônio Cícero - Poeta
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Domingo - 11/04/2010 - 12h55
Lenda da Lagoa Seca
Lagoa Seca? Por que foi que ela secou?... Como os olhos de chuva moça Que pouco tempo chorou?... Mas, não! A Lagoa Seca Sempre teve água demais... Doces águas lamentosas Nas margens sempre choraram! As más línguas dizem há muito Que um dia ela secou Porque negou água a um Santo Tornando a água salobra Que o Santo jamais provou! E a areia a água embebeu! Coitada da Lagoa Sêca... São histórias das más línguas Isto nunca sucedeu!
Jorge Fernandes (1887-1953) poeta natalense
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Domingo - 04/04/2010 - 10h36
Cogito
eu sou como eu sou pronome pessoal intransferível do homem que iniciei na medida do impossível
eu sou como eu sou agora sem grandes segredos dantes sem novos secretos dentes nesta hora
eu sou como eu sou presente desferrolhado indecente feito um pedaço de mim
eu sou como eu sou vidente e vivo tranquilamente todas as horas do fim.
Torquato Neto (1944-1972)
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Domingo - 21/03/2010 - 10h04
Queria...
Queria ser somente pura de argumentos, de palavras, pensamentos e controvérsias.
Nada quero ser além de um rio e suas correntes, nada de mar, de profundezas... Ou que nascesse em mim humildade, uma adolescente mansa, flor sem espinho.
Essa ânsia das coisas simples... Queria profundamente não ser tão desigual, tão absurda no meu perfume, no meu capricho, tão errante... Queria mais liberdade no acordar, mais privacidade na madrugada, queria não ser “eu” por enquanto.
Sulla Mino é poetisa e contista (Veja AQUI)
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Domingo - 14/03/2010 - 22h18
Ser poeta
Ser poeta é navegar Num rio de esperanças De alcançar com a mente Onde ninguém mais alcança É viver como nasceu Eternamente criança.
Antônio Francisco - Poeta mossoroense
* Homenagem do Blog ao Dia Nacional da Poesia
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Domingo - 14/03/2010 - 14h32
Súplica
Sem deixar rasuras Apaga, de leve, meus erros! Aplaca a sede e a ansiedade Que me leva à estupidez.
Ensina como usar a liberdade, Dá-lhe asas e ousadia Para empreender voos rasantes Até então presos em teias poeirentas, Tecidos por aranhas insaciáveis.
Poda essa insensatez! Mostra-me o mundo cor-de-rosa E de como deve ser bom Que fisga somente o bem De sentir-se só! O mundo do sossego.
Dulce Cavalcante - Poetisa mossoroense
* Homenagem ao Dia Nacional da Poesia
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Domingo - 14/03/2010 - 07h20
Tatuagem
O colibri que habita aquelas costas, Sugando a carne fresca com o bico, É a quem nestes versos eu suplico O caminho secreto das respostas.
Serás por entre gritos, entre espasmos, Passarinho liberto e prazenteiro Ou apenas um reles prisioneiro Do corpo, da fogueira, dos orgasmos?
Quais perfumes seduzem teus sentidos, Os aromas sutís da castidade Ou a força motriz dos corrompidos?
Por fim, que se declare e me revele, Por quais razões trocaste a liberdade Para amar tatuado à flor da pele.
Cid Augusto - Poeta mossoroense
* Homenagem do Blog ao Dia Nacional da Poesia
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Domingo - 14/03/2010 - 03h15
Surto
O frio do sol que esquenta a lua morna me faz correr em disparada por esta rua deserta. Parada, incerta e minha alma jaz atropelada pela força deste sentimento.
Margareth Freire - Poetisa mossoroense
* Homenagem do Blog ao Dia Nacional da Poesia
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Domingo - 07/03/2010 - 09h11
Deus e o Diabo na Terra do Sol
Aqueles éramos nós e não eram eram os couros as cangas a voz os olhos abismados à espera de qualquer coisa além de nós
mas as palavras elas não eram não aquelas infusas em avelós acesas na febre das quimeras a irromper dos cafundós
da alma que não não era embora sejamos nós aqueles inertes à espera
de palavras (de uma voz) que (ao menos) desesperem os nossos dias a nossa voz.
Adriano de Sousa
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Domingo - 28/02/2010 - 22h58
Os últimos poetas
Para onde foram os poetas? Por que não existem mais? E a poesia louca, inquieta, Em que túmulo ela jaz?
Estão mortos realmente? Os eternos foram embora? Então por isso a rosa sente, Então por isso a lua chora.
Não deixe, mundo maldito, Que se cale esse grito Desses loucos e suas metas.
E nós? Gritemos ao povo: Estamos aqui de novo. Nós os últimos poetas.
Caio César Muniz
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Domingo - 21/02/2010 - 12h12
Minha grande ternura
Minha grande ternura
Pelos passarinhos mortos;
Pelas pequeninas aranhas.
Minha grande ternura
Pelas mulheres que foram meninas bonitas
E ficaram mulheres feias;
Pelas mulheres que foram desejáveis
E deixaram de o ser.
Pelas mulheres que me amaram
E que eu não pude amar.
Minha grande ternura
Pelos poemas que não consegui realizar.
Minha grande ternura
Pelas amadas que
Envelheceram sem maldade.
Minha grande ternura
Pelas gotas de orvalho que
São o único enfeite de um túmulo.
Manuel Bandeira poeta pernambucano
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Domingo - 14/02/2010 - 04h44
Big Brother Brasil, um programa imbecil
Curtir o Pedro Bial E sentir tanta alegria É sinal de que você O mau-gosto aprecia Dá valor ao que é banal É preguiçoso mental E adora baixaria.
Há muito tempo não vejo Um programa tão ‘fuleiro’ Produzido pela Globo Visando Ibope e dinheiro Que além de alienar Vai por certo atrofiar A mente do brasileiro.
Me refiro ao brasileiro Que está em formação E precisa evoluir Através da Educação Mas se torna um refém Iletrado, ‘zé-ninguém’ Um escravo da ilusão.
Em frente à televisão Lá está toda a família Longe da realidade Onde a bobagem fervilha Não sabendo essa gente Desprovida e inocente Desta enorme ‘armadilha’.
Cuidado, Pedro Bial Chega de esculhambação Respeite o trabalhador Dessa sofrida Nação Deixe de chamar de heróis Essas girls e esses boys Que têm cara de bundão.
O seu pai e a sua mãe, Querido Pedro Bial, São verdadeiros heróis E merecem nosso aval Pois tiveram que lutar Pra manter e te educar Com esforço especial.
Muitos já se sentem mal Com seu discurso vazio. Pessoas inteligentes Se enchem de calafrio Porque quando você fala A sua palavra é bala A ferir o nosso brio.
Um país como Brasil Carente de educação Precisa de gente grande Para dar boa lição Mas você na rede Globo Faz esse papel de bobo Enganando a Nação.
Respeite, Pedro Bienal Nosso povo brasileiro Que acorda de madrugada E trabalha o dia inteiro Dar muito duro, anda rouco Paga impostos, ganha pouco: Povo HERÓI, povo guerreiro.
Enquanto a sociedade Neste momento atual Se preocupa com a crise Econômica e social Você precisa entender Que queremos aprender Algo sério – não banal.
Esse programa da Globo Vem nos mostrar sem engano Que tudo que ali ocorre Parece um zoológico humano Onde impera a esperteza A malandragem, a baixeza: Um cenário sub-humano.
A moral e a inteligência Não são mais valorizadas. Os “heróis” protagonizam Um mundo de palhaçadas Sem critério e sem ética Em que vaidade e estética São muito mais que louvadas.
Não se vê força poética Nem projeto educativo. Um mar de vulgaridade Já tornou-se imperativo. O que se vê realmente É um programa deprimente Sem nenhum objetivo.
Talvez haja objetivo “professor”, Pedro Bial O que vocês tão querendo É injetar o banal Deseducando o Brasil Nesse Big Brother vil De lavagem cerebral.
Isso é um desserviço Mal exemplo à juventude Que precisa de esperança Educação e atitude Porém a mediocridade Unida à banalidade Faz com que ninguém estude.
É grande o constrangimento De pessoas confinadas Num espaço luxuoso Curtindo todas baladas: Corpos “belos” na piscina A gastar adrenalina: Nesse mar de palhaçadas.
Se a intenção da Globo É de nos “emburrecer” Deixando o povo demente Refém do seu poder: Pois saiba que a exceção (Amantes da educação) Vai contestar a valer.
A você, Pedro Bial Um mercador da ilusão Junto a poderosa Globo Que conduz nossa Nação Eu lhe peço esse favor: Reflita no seu labor E escute seu coração.
E vocês caros irmãos Que estão nessa cegueira Não façam mais ligações Apoiando essa besteira. Não deem sua grana à Globo Isso é papel de bobo: Fujam dessa baboseira.
E quando chegar ao fim Desse Big Brother vil Que em nada contribui Para o povo varonil Ninguém vai sentir saudade: Quem lucra é a sociedade Do nosso querido Brasil.
E saiba, caro leitor Que nós somos os culpados Porque sai do nosso bolso Esses milhões desejados Que são ligações diárias Bastante desnecessárias Pra esses desocupados.
A loja do BBB Vendendo só porcaria Enganando muita gente Que logo se contagia Com tanta futilidade Um mar de vulgaridade Que nunca terá valia.
Chega de vulgaridade E apelo sexual. Não somos só futebol, baixaria e carnaval. Queremos Educação E também evolução No mundo espiritual.
Cadê a cidadania Dos nossos educadores Dos alunos, dos políticos Poetas, trabalhadores? Seremos sempre enganados e vamos ficar calados diante de enganadores?
Barreto termina assim Alertando ao Bial: Reveja logo esse equívoco Reaja à força do mal… Eleve o seu coração Tomando uma decisão Ou então: siga, animal...
Antônio Barreto é poeta popular baiano
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Domingo - 07/02/2010 - 09h08
O mendigo
Esse que você vê tão sem destino feito carta jogada de um baralho já foi muito benquisto e muito fino, apesar dessa forma de espantalho.
Esse velho cansado peregrino também teve seu lar e seu trabalho. Não viveu toda a vida em desatino, como triste e perdido rebotalho.
Pois quem diz há mais tempo conhecê-lo, me garante que tanto desmantelo tem alguma mulher por responsável…
Sendo assim, nós o vemos todo dia carregando a suposta fantasia por aquela que o fez tão miserável.
Marcos Ferreira é poeta
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Domingo - 31/01/2010 - 02h26
Ama-me por amor somente
Ama-me por amor somente. Não digas: "Amo-a pelo seu olhar, o seu sorriso, o modo de falar honesto e brando. Amo-a porque se sente minh'alma em comunhão constantemente com a sua".
Porque pode mudar isso tudo, em si mesmo, ao perpassar do tempo, ou para ti unicamente.
Nem me ames pelo pranto que a bondade de tuas mãos enxuga, pois se em mim secar, por teu conforto, esta vontade de chorar, teu amor pode ter fim! Ama-me por amor do amor, e assim me hás de querer por toda a eternidade.
Madre Teresa de Calcutá
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Domingo - 24/01/2010 - 05h38
Arcanjo
Arcanjo pousa em São Paulo Trazendo Lápis nas veias E temas de encantação. Vem de longe, vem de perto, De sua ilha flutuante; Traz a voz dos oceanos Na poesia de sua prosa E deixa em Piratininga Lembranças de Mossoró, Verdes mares cearenses, E o lirismo de Natal. Lápis nas veias se escreve Com noturnos de petróleo E tinta azul do infinito. Bem-vindo Amigo que chega, Arcanjo que se incorpora Aos vitrais deste Instituto.
Paulo Bonfim é poeta
* Saudação do poeta Paulo Bomfim, membro da Academia Paulista de Letras, ao livro "Lápis nas veias", de Clauder Arcanjo, dia 15 de janeiro último, na sede do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP).
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Domingo - 17/01/2010 - 11h00
Desencanto
Eu faço versos como quem chora De desalento... de desencanto... Fecha o meu livro, se por agora Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente... Tristeza esparsa... remorso vão... Dói-me nas veias. Amargo e quente, Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca Assim dos lábios a vida corre, Deixando um acre sabor na boca.
- Eu faço versos como quem morre.
Manuel Bandeira - poeta
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Domingo - 03/01/2010 - 05h13
Bem no fundo
No fundo, no fundo, bem lá no fundo, a gente gostaria de ver nossos problemas resolvidos por decreto
a partir desta data, aquela mágoa sem remédio é considerada nula e sobre ela — silêncio perpétuo
extinto por lei todo o remorso, maldito seja que olhas pra trás, lá pra trás não há nada, e nada mais
mas problemas não se resolvem, problemas têm família grande, e aos domingos saem todos a passear o problema, sua senhora e outros pequenos probleminhas.
Paulo Leminski (1944-1989)
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Quinta - 31/12/2009 - 07h25
Receita de Ano Novo
Para você ganhar belíssimo Ano Novo cor de arco-íris, ou da cor da sua paz, Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido (mal vivido ou talvez sem sentido) para você ganhar um ano não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ser, novo até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior) novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, mas com ele se come, se passeia, se ama, se compreende, se trabalha, você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, não precisa expedir nem receber mensagens (planta recebe mensagens? passa telegramas?). Não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta. Não precisa chorar de arrependido pelas besteiras consumadas nem parvamente acreditar que por decreto da esperança a partir de janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações, liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver. Para ganhar um ano-novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade
Veja vídeo AQUI.
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Domingo - 27/12/2009 - 10h00
Manhecença
O dia nasce grunindo pelos bicos Dos urumarais... Dos azulões... da asa branca... Mama o leite quente que chia nas cuias espumando... Os chocalhos repicam na alegria do chouto das vacas... As janelas das serras estão todas enfeitadas De cipó florado... E o coên! do dia novo - Vai subindo nas asas peneirantes dos caracarás... Correndo os campos no mugido do gado... No - mên - fanhoso dos bezerros... Nas carreiras da cutia... no zunzum de asas dos besouros, das abelhas... nos pinotes dos cabritos... Nos trotes fortes e luzidos dos potros... E todo ensanguentado do vermelhão das barras Leva o primeiro banho nos açudes E é embrulhado na toalha quente do sol E vai mudando a primeira passada pelos Campos todo forrado de capim panasco...
Jorge Fernandes (1887-1953)
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Domingo - 20/12/2009 - 22h31
Companhia
aonde quer que eu vá a tua febre me comanda cuidado apenas mais um hábito o bom nesta parceria é o durante o ninho desmantelado a vertigem aonde quer que eu vá a tua umidade me habita atenção apenas mais uma inundação o bom nesta entrega é o pouso aonde quer que eu vá o teu ato é o meu e somos a cálida nascente.
Leontino Filho
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Domingo - 13/12/2009 - 10h30
Chuva
Nove e quinze da noite Uma canção de Cartola inunda a sala Uma chuva rala cai lá fora Cubos de gelo dançam em transe Em um copo sempre cheio.
O copo não se esvazia O coração, sim.
Onze e quinze da noite De uma noite que não terá fim Um vazio que transborda o mundo... Cubos de gelo bailam em delírio Em um copo sempre presente
Enfim, o copo se esvazia. O coração também.
Cefas Carvalho é jornalista e escritor
* Conheça AQUI o Blog de Cefas Carvalho
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Domingo - 06/12/2009 - 13h00
Incerto Caminhar
Na mesma estrada longa e sinuosa, seguindo por estorvos, descaminhos - ao lado a companhia generosa -, agruras transformadas em carinhos.
A estrada, que se faz ida e retorno, transporta realidade e desvario. Há a vida no seu leito e em seu entorno, assim como no curso de algum rio.
Também há o andarilho solitário, disperso em seu mundo sempre errante, sem data, sem agenda, sem horário.
A estrada é esta vontade de chegar... E é o passo que transforma a todo instante a vida num incerto caminhar.
David Leite é escritor, poeta, professor e advogado (do livro "Incerto Caminhar", Sarau das Letras, 2009)
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Sábado - 24/05/2009 - 10h12
Púrpuras tardes
No silêncio turvo e gélido, espelhos e sorrateiros passos melódicos, fundem-se em enigmática noite. Serenata indesejada à janela, assobios de ventos são augúrios a arrepiar a epiderme da madrugada Com gotas de claridade, vaga-lumes, sintagmas-luzes, ponteiam o manto negro do cio da escuridão. E surgem murmúrios de brisa a balançar o escuro véu, soprando vida, despedaçando a solidão, em tímidos veios de cor. O dia avança, com a liberdade de um condor, sabendo que outra vez morrerá. Púrpuras tardes, prelúdios e presságios, que outros passos e espelhos urdirão de mistérios outras noites sem estrelas...
David de Medeiros Leite - david.leite@uol.com.br
* Poesia vencedora do III Prêmio de Poesia em Língua Portuguesa da Universidade de Salamanca (Espanha). Veja postagem sobre o assunto AQUI.
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Domingo - 24/05/2009 - 02h14
Despertar é preciso
Na primeira noite eles aproximam-se e colhem uma Flor do nosso jardim e não dizemos nada.
Na segunda noite, Já não se escondem; pisam as flores, matam o nosso cão, e não dizemos nada.
Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada,
Já não podemos dizer nada.
Vladimir Maiakóvski, poeta russo
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Domingo - 26/04/2009 - 19h40
Grãos de areia
Espero que meus versos consigam chegar, Aonde têm que chegar. Que meu sorriso mesmo distante, Afaste as lágrimas do seu olhar. É duro viver, mas você pode superar. E com certeza, estrelas irão brilhar pelos caminhos que você passar. Existe fé no sorriso do seu olhar, Pois você acredita na vida que está dentro de você. Na fonte da esperança, você bebe a sede de amar. Vem a noite como um cobertor e o leva a deitar, Pois o sol da manhã precisa adormecer e você viver. Caminhe na esperança de um novo amanhecer. Se a vida o magoou, aprenda a superar. O sorriso renascerá, num afago da noite que cairá. Este é apenas um momento que você tem que passar. Os meus versos irão chegar, aonde têm que chegar. Quando sua cabeça nos seus ombros pesar, Os meus versos serão os braços de apoio para você descansar. Enxugue as lágrimas no seu olhar. São versos de amor para uma pessoa que eu sei Que nunca esqueceu de amar. Procure em sua vida, o brilho de uma estrela, Pois eu estarei lá. Quando um sonho terminar, É sinal que outro irá começar. Levante a cabeça, e lembre-se sempre: - Que você é grande! Por mais que um grão de areia venha cegá-lo, Eu quero ser mais que um poeta. Quero ser uma lágrima, para aquele grão de areia, Dos seus olhos tirar. Lembre-se de mim em cada verso, em cada momento, Que você tiver que passar. Por mais que a solidão venha, Sozinho você nunca estará. Serei sua alma amiga, Pois como uma lágrima, Escorrerei do seu olhar.
Alexandre Lemos (Príncipe Poeta), 28 anos, aluno da Apae.
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Sexta - 17/10/2008 - 17h10
Fafá e família repetem fórmula tradicional
Uma eventual dobradinha entre pai e filho, candidatos a deputado federal e estadual, não causa estranheza em Mossoró. É regra na elite política.
A postulação à Câmara Federal do atual deputado estadual Leonardo Nogueira (DEM), coadjuvada pelo filho Jerônimo a estadual, é natural e compreensível (veja postagem abaixo).
Com meios para torná-los campeões de voto e garantia avanço estratégico, sua facção joga para enraizar poder e não ficar como penduricalho de ninguém. Por enquanto, há o mandato de Leonardo e o de sua mulher, prefeita Fafá Rosado (DEM).
Uma candidatura viável a deputado estadual alargaria essa força.
Do outro lado da família, a deputada federal Sandra Rosado (PSB) e sua filha Larissa Rosado (PSB), deputado estadual, já adotam a dobradinha. Antes eram Laíre Rosado (PSB) – marido de Sandra – e sua mulher que dividiam esses espaços.
Ele foi deputado federal e ela era deputada estadual.
Portanto, quem é que vai impedir a ala de Fafá Rosado de fazer o mesmo?
* Aguarde ainda hoje:
- "Operação Sal Grosso" explodirá com medidas explosivas; - Vereador propõe banimento de reeleitos da presidência da nova câmara.
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Domingo - 22/06/2008 - 09h04
Restos mortais
O mundo sobrevive insano, cruel e covarde, não há saudades, lembranças ou verdades.
Há restos somente de amor e de maldade. Sangue na blusa do assassino, calo nas mãos do coveiro, lágrimas e voz rouca no jovem em protesto.
Não dá para apagar o pecado em um papel velho e traçar novos contornos de um novo dia, um sol e uma casinha como no desenho de criança.
O sabido não mais se queixa e a idéia de sair correndo não foi minha... Este mundo de cemitérios e histórias mortas, estes restos, que ao nascer já não se tem vida alguma... Uma bela maçã, este foi o pecado...
Agora só mutantes vestidos de fantasmas, Ícaros, e ao invés de se cair no mar, caímos nos restos mortais do tempo com panetes na boca.
Sulla Mino (AQUI).
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Domingo - 15/06/2008 - 21h39
Para belum
Belo!! Nos livros que folheio, Te leio! Nos desenhos que faço, te traço! Nas paisagens que almejo, te vejo! No murmúrio das ondas, te ouço! No ar que respiro, te sinto! Nas idéias que tenho, te penso! Nos trabalhos que faço, te acho! E confesso, liberta, sofrida, de espera entorpecida, na fonte da vida, na estrada que piso, te preciso!
LG
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Domingo - 08/06/2008 - 12h02
Morre lentamente
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o "preto sobre o branco" e os "pontos nos is" em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar.
Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade.
Pablo Neruda, poeta chileno
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Domingo - 06/04/2008 - 09h00
Comício em beco estreito
Pra se fazer um comício Em tempo de eleição Não carece de arrodei Nem dinheiro muito não Basta um F-4000 Ou qualquer mei caminhão Entalado em beco estreito E um bandeirado má feito Cruzando em dez posição.
Um locutor tabacudo De converseiro comprido Uns alto-falante rouco Que espalhe o alarido Microfone com flanela Ou vermelha ou amarela Conforme a cor do partido.
Uma gambiarra véa Banguela no acender Quatro faixa de bramante Escrito qualquer dizer Dois pistom e um taró Pode até ficar melhor Uma torcida pra torcer
Aí é subir pra riba Meia dúzia de corruto Quatro babão, cinco puta Uns oito capanga bruto E acunhar na promessa E a pisadinha é essa: Três promessa por minuto.
Anunciar a chegança Do corruto ganhador Pedir o "V" da vitória Dos dedo dos eleitor E mandar que os vira-lata Do bojo da passeata Traga o home no andor.
Protegendo o monossílabo De dedada e beliscão A cavalo na cacunda Chega o dono da eleição Faz boca de fechecler E nesse qué-ré-qué-qué Vez por outra um foguetão.
Com voz de vento encanado Com os viva dos babão É só dizer que é mentira Sua fama de ladrão Falar dos roubo dos home E tá ganha a eleição.
E terminada a campanha Faturada a votação Foda-se povo, pistom Foda-se caminhão Promessa, meta e programa... É só mergulhar na Brahma E curtir a posição.
Sendo um cabra despachudo De politiquice quente Batedorzão de carteira Vigaristão competente É só mandar pros otário A foto num calendário Bem família, bem decente:
Ele, um diabo sério, honrado Ela, uma diaba influente Bem vestido e bem posado Até parecendo gente Carregando a tiracolo Sem pose, sem protocolo Um diabozinho inocente.
Jessier Quirino
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Domingo - 24/02/2008 - 23h48
Não sei
Não sei... Se a vida é curta ou longa demais para nós. Mas sei que nada do que vivemos tem sentido Se não tocarmos os corações das pessoas. Muitas vezes basta ser: Colo que acolhe, Braço que envolve, Palavra que conforta, Silêncio que respeita, Alegria que contagia, Lágrima que corre, Olhar que acaricia, Amor que promove. E isso não é coisa do outro mundo, É o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja curta, Nem longa demais, Mas, que seja intensa, Verdadeira, Pura, Enquanto durar. Feliz aquele que transfere o que sabe.
Cora Coralina, poetisa goiana
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Domingo - 06/01/2008 - 03h16
Os teus pés
Quando não posso contemplar teu rosto, contemplo os teus pés.
Teus pés de osso arqueado, teus pequenos pés duros.
Eu sei que te sustentam e que teu doce peso sobre eles se ergue.
Tua cintura e teus seios, a duplicada púrpura dos teus mamilos, a caixa dos teus olhos que há pouco levantaram vôo, a larga boca de fruta, tua rubra cabeleira, pequena torre minha.
Mas se amo os teus pés é só porque andaram sobre a terra e sobre o vento e sobre a água, até me encontrarem.
Pablo Neruda, poeta chileno
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Domingo - 30/12/2007 - 01h22
Receita de Ano Novo
Para você ganhar belíssimo Ano Novo cor de arco-íris, ou da cor da sua paz, Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido (mal vivido talvez ou sem sentido) para você ganhar um ano não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ver, novo até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior) novo, espontâneo, que de tão perfeito se nota, mas com ele se come, se passeia, se ama, se compreende, se trabalha, você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, não precisa expedir nem receber mensagens (planta ou recebe mensagens? passa telegramas?). Não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta. Não precisa chorar de arrependido pelas besteiras consumadas nem parvamente acreditar que por decreto da esperança a partir de janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações, liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver. Para ganhar um ano-novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.
Carlos Drumonnd de Andrade, poeta
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Domingo - 23/12/2007 - 01h58
Desejo
Desejo primeiro que você ame, E que amando, também seja amado. E que se não for, seja breve em esquecer. E que esquecendo, não guarde mágoa. Desejo, pois, que não seja assim, Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos, Que mesmo maus e inconseqüentes, Sejam corajosos e fiéis, E que pelo menos num deles Você possa confiar sem duvidar. E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos. Nem muitos, nem poucos, Mas na medida exata para que, algumas vezes, Você se interpele a respeito De suas próprias certezas. E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo, Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil, Mas não insubstituível. E que nos maus momentos, Quando não restar mais nada, Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante, Não com os que erram pouco, porque isso é fácil, Mas com os que erram muito e irremediavelmente, E que fazendo bom uso dessa tolerância, Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem, Não amadureça depressa demais, E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer E que sendo velho, não se dedique ao desespero. Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste, Não o ano todo, mas apenas um dia. Mas que nesse dia descubra Que o riso diário é bom, O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra, Com o máximo de urgência, Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos, Injustiçados e infelizes e, que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato, Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro Erguer triunfante o seu canto matinal Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente, Por mais minúscula que seja, E acompanhe o seu crescimento, Para que você saiba de quantas Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro, Porque é preciso ser prático. E que pelo menos uma vez por ano Coloque um pouco dele Na sua frente e diga "Isso é meu", Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra, Por ele e por você, Mas que se morrer, você possa chorar Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem, Tenha uma boa mulher, E que sendo mulher, Tenha um bom homem E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes, E quando estiverem exaustos e sorridentes, Ainda haja amor para recomeçar. E se tudo isso acontecer, Não tenho mais nada a te desejar.
Victor Hugo
* O texto acima percorre essa infindável Internet. Chegou até a mim por boas mãos e sob bons propósitos. Assim, também, oferto a ti, webleitor. De coração.
Quanto à autoria, tenho minhas dúvidas. Vou pesquisar para melhor assegurar a informação. De qualquer modo, creio valer pelo conteúdo.
Desejo-lhe tudo isso.
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Domingo - 16/12/2007 - 03h00
O mendigo
Esse que você vê tão sem destino
feito carta jogada de um baralho já foi muito benquisto e muito fino, apesar dessa forma de espantalho.
Esse velho cansado peregrino também teve seu lar e seu trabalho. Não viveu toda a vida em desatino, como triste e perdido rebotalho.
Pois quem diz há mais tempo conhecê-lo, me garante que tanto desmantelo tem alguma mulher por responsável...
Sendo assim, nós o vemos todo dia carregando a suposta fantasia por aquela que o fez tão miserável.
Marcos Ferreira é poeta e escritor
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Domingo - 02/12/2007 - 01h28
Sê
Se não puderes ser um pinheiro no topo de uma colina sê um arbusto no vale, mas sê o melhor arbusto à margem do regato. Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore. Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva, e dá alegria a algum caminho. Se não puderes ser uma estrada, sê apenas uma senda. Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela. Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso... Mas sê o melhor no que quer que sejas.
Pablo Neruda
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Domingo - 11/11/2007 - 17h12
Quando os nazistas vieram atrás dos comunistas
Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei.
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram; já não havia mais ninguém para reclamar...
Martin Niemöller, Pastor luterano, perseguido pelo Nazismo, por não aceitar o regime que oprimia a todos os alemães, até aos que o serviam.
P.S: Não é mera coincidência a relação do poema em epígrafe e tempo, presente, que testemunhamos numa cidade interiorana do RN.
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Domingo - 28/10/2007 - 02h50
O poema da liberdade
Declaro, em mim, e aos ventos e mares de Cuba, toda a liberdade. E o homem livre já vive o céu. Aqui, na terra, o homem verdadeiramente livre desenha os contornos de um céu azul como o da África ou dos sertões do Brasil. Meu grito libertário já chegou à floresta da Bolívia e, ao contrário do que pensam alguns, não cessou. Meu punho está firme, pronto e rijo. Já penso no próximo combate. Travarei esse combate entre as palavras e a ignorância. Travarei esse novo combate entre o pão e a fome. Travarei esse velho combate entre a luz e a obscuridade. Lutarei, desesperadamente, sem sentir qualquer dor. Os meus amigos e camaradas irão curar minhas feridas com o bálsamo da verdade e da honra. Desafiarei os perigos e correrei montanhas e todos os riscos. Minha guerrilha não cessará enquanto houver um homem, uma mulher, um velho, uma criança, sem casa, sem chão, sem o arroz da ilha ou o feijão do continente. Não cessará minha batalha enquanto eu ouvir a canção da Latino-América. A fadiga não me alcançará, enquanto – nas madrugadas – eu sorver o orvalho fresco e a seiva que escorrem sobre as folhas das árvores imemoriais da paz e sobre a minha fronte sangrando. Não interromperei minha luta e minha gargalhada ainda ecoará, apavorando meus algozes, enquanto existirem povos sem olhos para ver o rumo certo, sem ouvidos para ouvir o poema da liberdade, sem língua para gritar e buscar, no fundo do peito, o espírito altivo e forte da América Independente!
* Poema em homenagem a Che Guevara, lido pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP), em sessão especial do Senado no dia 23 passado)
Lívio Oliveira, poeta e advogado
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Domingo - 14/10/2007 - 12h00
A máscara (Homenagem a Paulo Autran)
A máscara que vesti não era a máscara que alguns homens e mulheres, incautos, desavisados, insistiram e teimam em ostentar. A máscara que vesti e o nariz de palhaço me trouxeram dignidade e honra. E o sonho me chegou, bem perto, bem perto! Com aquela máscara, com aquela fantasia, eu, um mero clown, um operário sonhador, dei, de volta, o sorriso surrupiado do povo. Dei, de volta, àqueles que me viram em cena, àqueles que me tomaram no ato, toda força do meu corpo e de minha alma, e, ainda, do meu sonho, algo que nunca teve máscara!
Lívio Oliveira é poeta e advogado (livioliveira@yahoo.com.br)
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Domingo - 26/08/2007 - 11h32
Poetas, poetas
Nas veias do poeta inspirado corre vinho e veneno, raios de sol, água pura, mistérios do oceano, ternura, sonhos dourados, olhar puro e leviano, ele verseja num tom e diz que não quer, querendo
Devanear, bem sabemos, é próprio de quem poema, é obra de garimpeiro, de escultor com cinzel, de escritor tarimbado que viu Torre de Babel, de Pierrot apaixonado, do casal Páris e Helena
Mas só ao poeta é dado admirar o orvalho, namorar o brilho da lua, ouvir atento as estrelas conhecer muitas mulheres e a um só tempo quere-las
Sempre alheio ao que o cerca, é eterno sonhador enfrenta de perto a morte, não tem medo da dor se mil vidas ele tivesse gostaria de vivê-las
Gilbamar de Oliveira, ex-bancário, poeta e cronista
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Sexta - 17/08/2007 - 09h29
Drummond vive
Lá se vão 20 anos.
Hoje faz esse tempo: são 20 anos de ausência física do poeta Carlos Drummond de Andrade.
Para não passar em branco, esse papel virtual tenta plasmar um de seus temas preferidos: o amor. Abaixo, mais uma de suas belas heranças. Um legado a nós e às várias gerações que virão:
Ao amor antigo
O amor antigo vive de si mesmo, não de cultivo alheio ou de presença. Nada exige nem pede. Nada espera, mas do destino vão nega a sentença.
O amor antigo tem raízes fundas, feitas de sofrimento e de beleza. Por aquelas mergulha no infinito, e por estas suplanta a natureza.
Se em toda parte o tempo desmorona aquilo que foi grande e deslumbrante, a antigo amor, porém, nunca fenece e a cada dia surge mais amante.
Mais ardente, mas pobre de esperança. Mais triste? Não. Ele venceu a dor, e resplandece no seu canto obscuro, tanto mais velho quanto mais amor.
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Domingo - 08/07/2007 - 08h32
Mensagem
Sou, confessadamente, um apaixonado. Mário Quintana é uma afeição que atravessa o tempo, ladeando-me. Vivo fosse, estaria com 100 anos neste século que é também seu, meu. Nosso! De tão presente, nem percebo que se foi. Abaixo, a doação de um webleitor para todos nós.
Quando se vê, já são seis horas...
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já é Natal...
Quando se vê já terminou o ano...
A vida são deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, passaram-se 50 anos
Quando se vê, não sabemos mais por onde andam nossos amigos.
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Agora, é tarde demais para ser reprovado.
Se me fosse dado, um dia, uma oportunidade, eu nem olhava o relógio. Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.
Seguraria todos os meus amigos, que já não sei onde e como estão, e diria: "Vocês são extremamente importantes para mim."
Seguraria o meu amor, que está há muito à minha frente, e diria: "Eu te amo".
Dessa forma, eu digo: não deixe de fazer algo que gosta devido à falta de tempo. Não deixe de ter alguém ao seu lado, ou de fazer algo, por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá, será desse tempo que infelizmente... não voltará mais.
Mário Quintana
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